o seu é o limite

O seu é o limite. Queria escrever um textão bonito, mas tô cansada pra isso. Na verdade, tá todo mundo cansado, querendo mais do que conseguindo. Tenho visto muites artistas desativando perfis, dando um tempo pra focar em outra coisa, alegando alguma frustração ou cansaço, ou só um novo foco mesmo. Tenho me sentindo devagar demais. Mas pra ser devagar tem que ter um referencial, então qual é? Quem é? Tenho me comparado muito? Mas vejo todo mundo cansado,,, alguma coisa não bate. Posso passar o dia produzindo que ainda não vou me sentir produtiva como gostaria —
e cansada.

Conversando com uma amiga esses dias ela me disse “a gente que é artista nunca para pra comemorar nossos trabalhos/conquistas. Sempre terminamos e já buscamos o próximo”. Fiquei pensando nisso. As vezes eu até pego nojo e não quero mais olhar pra um trabalho que terminei. As vezes também amo e sinto orgulho. Quero sempre mais. Alguma coisa me diz pra me apressar, que tenho sido ineficaz. Alguma coisa me diz que não tô fazendo como deveria. Eu culpo o capitalismo e esse fantasma que dita o ritmo que devemos seguir, e não tem como fugir muito porque, nesse contexto, precisamos de dinheiro e já não somos mais adolescentes aprimorando as artes, e nem todo mundo tem ou conseguiu arranjar um segundo emprego, que muitas vezes vai virando o primeiro porque a vida acontece. Viver de arte é foda e eu sempre vou reclamar pra caralho disso.

Assim como nessas duas semanas curtas de feriados, sinto que recentemente me permiti descansar um pouco e não tô sabendo voltar ao ritmo que gostaria. Sinto as coisas travadas, coisas que nem dependem de mim, e as que dependem também. Muita coisa deixando de acontecer, ao passo da agonia de que algo deveria estar acontecendo. Acho que a saída pra isso é sermos gentis com a gnt mrm, mas não sei ser. Nunca soube, sempre me cobrei mais que todo mundo. Nem sei se devo deixar de ser assim. Sei que uma hora isso tudo vai passar, é só ser paciente, e lembrar que vida manda mais que a gente. Saber disso tudo eu sei, mas na prática eu sou que nem aquele áudio do tiktok “todo mundo merece uma segunda chance, errar, ter seu tempo,,,,, exceto eu”

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escritora transfeminina de macaé/RJ — escrevo como uma gata — lambendo as próprias feridas — com a língua áspera

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Lambi

Lambi

escritora transfeminina de macaé/RJ — escrevo como uma gata — lambendo as próprias feridas — com a língua áspera